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72ª Volta a Portugal: Balanço positivo
Escrito por Sérgio Ribeiro   
16-Aug-2010
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A 72ª Volta a Portugal chegou ontem ao fim em Lisboa, uma edição que jamais esquecerei pois consegui alcançar todos os objectivos propostos a nível pessoal que era a Geral individual por pontos e vencer uma etapa, (foram 2 ainda melhor) tudo isto sem por em causa as pretensões da equipa em algum momento, pois se isso acontecesse os meus objectivos pessoais era logo passados para segundo plano.
 
A etapa de ontem entre Sintra e Lisboa tinha ainda algumas contas a acertar e, sem querer estragar a festa ao David Blanco a Barbot-Siper teria que fazer pela vida e tentar fazer com que eu conseguisse amealhar alguns pontos como aconteceu ao quilómetro 31.
Expliquei ao David que não queria estragar a consagração mas que tínhamos deveres nesta etapa o que foi super bem aceite por o David Blanco, entendendo perfeitamente que não ia ser no ultimo dia que eu ia baixar os braços, mas nem foi preciso à Barbot-Siper tomar iniciativa alguma na corrida pois os ciclistas holandeses queria atacar e começaram as hostilidades bem cedo, restando á nossa equipa fazer o que nos competia, ou seja, controlar a corrida ate a meta volante e ver no que dava, e daí sai vencedor e passei para a frente na classificação por pontos o que nos deixava bem mais tranquilo para a parte final.
 
Na parte final com uma fuga algo numerosa a equipa do líder controlava a corrida e nós não nos mexíamos muito na frente da corrida pois eu desde cedo senti que as minhas forças não iam lá muito famosas e ao falar com o meu D.D disse que não valia a pena desgastar a equipa pois não me estava a sentir capaz de vencer a etapa, mas, a certa altura do circuito e já com a fuga à vista o meu D.D mais uma vez perguntou como ia e a resposta foi a mesma – “quem manda é o chefe mas acho que não vou capaz hoje de vencer apesar de ser uma chegada do meu agrado”, mas o meu D.D disse-me por o rádio “ok tudo bem mas eu sou um optimista e acredito em ti e ganhes ou não ganhes vou depositar confiança em ti pois acredito que consigas”, e ai pegamos no pelotão e encostamos a fuga juntamente com a equipa L.A Paredes e no final fiz 3º, um lugar que é bastante bom mas sinceramente as sensações que vinha a ter na corrida verificaram-se pois no tipo de chegada que era e na colocação que eu vinha tinha de tudo para disputar a vitoria até ao risco final mas tal não aconteceu. Ainda me consegui meter ao lado do vencedor mas depressa cedi terreno pois as pernas não corresponderam.
 
Tentei, a equipa tentou e só lhes tenho mais uma vez que agradecer a confiança que tiveram em mim mesmo depois de saber as indicações que eu fazia passar para dentro do carro de apoio.  
 
Foi possível conciliar as coisas e e Barbot-Siper acabou por fazer uma grande Volta a Portugal, o que me deixou super contente.
 
Voltando à minha prestação pessoal, a mesma deixou-me super feliz e foi super importante para mim terminar entre os melhores na prova Rainha do Calendário Nacional.
 
A camisola Branca foi um sonho tornado realidade pois desde muito novo sonhava com esta camisola, a amarela e a mais desejada mas há que ser realista e saber quais os nossos limites. Eu nunca sonho com a amarela pois conheço bem as minhas limitações e daí a camisola branca ser aquela que eu sempre ambicionei para mim, acreditando que seria possível vencer um dia.
 
O trabalho desenvolvido por mim na preparação da volta teve os seus frutos e fiquei super agradado pela forma que encarei a alta montanha da Volta a Portugal acredito agora que ainda poderei melhorar nesta vertente e, sem entrar em exageros, mais algumas arestas poderão ainda ser limadas. A perca de peso foi determinante e, se perder mais alguns quilos poderei estar melhor ainda na alta montanha, mas aí o receio de ficar mais fraco no sprint.
 
Uma coisa é certa, cada ciclista tem as suas características próprias e quando tentamos alterar a constituição física para melhorar numa vertente acabamos por ficar mais fracos noutra que, à partida constitui um dos pontos fortes. O melhor mesmo é sermos realistas, conhecer bem os nossos limites e potenciar ao máximo os pontos fortes, melhorar alguns dos pontos fracos mas nuca entrar em loucuras. Sempre me ensinaram que quem é para 8 não é para 80, não vale a pena querer tudo e depois no final não conseguir nada. 
 
A Volta a Portugal de 2010 chegou ao fim e foi inesquecível para mim.
 
 Aproveito para agradecer aquelas pessoas todas e não foram poucas, até eu fiquei surpreendido com tantas mensagens e tantos telefonemas de pessoas que me apoiaram nesta volta.
 
Um agradecimento bem especial a todos os que nunca se esqueceram de mim ao longo dos momentos mais difíceis da minha carreira e sempre me apoiaram incondicionalmente e deram-me força e confiança para nunca baixar os braços e continuar, um grande obrigado e esses grandes amigos que sempre têm estado comigo, o meu muito obrigado, foram fantásticos no apoio. Afinal há quem admire o meu trabalho e isso motiva bastante.
 
Outra coisa que me marcou bastante foi já na estradas ouvir pessoas a chamar por mim e a apoiar claro que em menor numero que certos ciclistas mas para quem nunca tinha ouvido o seu nome a ser chamado nas ruas por pessoas desconhecidas foi  mais uma experiencia muito boa desta Volta a Portugal.
 
 
Abraço
Sérgio Ribeiro
 
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