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Resumo do Tour do Brasil.
Escrito por Sérgio Ribeiro   
06-Sep-2009
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A chegada ao Brasil foi a minha primeira etapa pois andar de Avião é um verdadeiro sacrifício para mim e no momento em que o Avião aterrou no Brasil dei por concluída a minha primeira etapa.
 
A corrida em si começou com um prologo por equipas no qual a nossa equipa não esteve muito forte, depois de um dia inteiro a viajar e um dia sem treinar nota-se a diferença e, no prólogo sentimo-nos todos algo presos e as pernas não respondiam como queríamos.
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Depois começou a corrida a sério, na primeira etapa a equipa esteve desde o inicio muito atenta e em todas as fugas a Barbot-Siper-Azeite Vila Flor colocou ciclistas.
 
Nesta etapa consegui o 4º lugar, algo que soube a pouco pois senti que as pernas estavam a querer mais e que poderia ter feito melhor.
 
No segundo dia a equipa fez um trabalho espectacular. A 20 quilómetros do final sabíamos que ia surgir uma subida com bastante vento, uma dificuldade que dava para fazer estragos no pelotão caso acelerássemos ao máximo subida acima. Foi o que aconteceu, atacamos com tudo e surpreendemos os adversários levando apenas um grupo connosco que à medida que nos aproximamos do topo ficou mais reduzido. Após a montanha a Barbot-Siper-Azeite Vila Flor assumiu sem qualquer receio o que faltava da corrida e, na parte final, bastante inclinada e com piso em paralelo, o Bruno Pires acelerou ao máximo comigo na roda para eu tentar fazer a diferença na parte final. Se há dias em que tudo corre bem no ciclismo, este foi um deles, e conseguimos o primeiro e segundo lugar na etapa, enfim tudo na perfeição.
 
Dia seguinte esperava-nos uma etapa de 247 quilómetros que foi um verdadeiro terror, mas a incrível atitude da Barbot-Siper-Azeite Vila Flor fez toda a diferença. O Hélder Oliveira e o Bruno Pinto mostraram uma atitude, um espírito de sacrifício e um querer fora de série. Eles os dois controlaram praticamente a corrida toda para depois, na parte final, serem os outros colegas a darem a cara, como foi o caso do David Bernabeu, Bruno Castanheira, Carlos Pinho e António Amorim enquanto eu e o Pires limitávamo-nos a seguir na roda. Na passagem da ultima montanha o grupo da frente voltou a partir e a nossa equipa, que fez toda a etapa na cabeça do pelotão, voltou a pegar na corrida até que já perto da meta um dos mais fortes adversários lançou um ataque ao qual a equipa já não conseguiu responder. Foi então que eu e o Bruno Pires entramos em acção e seguimos com a fuga de 5 corredores que se formou. Na parte final, um sprint onde os 300 metros finais eram inclinados, voltei a ser o mais forte e consegui reforçar a liderança.
Neste dia de prova o que os meus colegas fizeram ao longo dos 247 quilómetros marcou-me bastante, são nestes momentos em que sentimos que somos um verdadeiro grupo no qual cada um dá tudo para ajudar o outro, que sentimos uma grande satisfação por termos a felicidade de fazer parte deste grupo que é a Barbot-Siper-Azeite Vila Flor. 
 
 
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Depois vieram as etapas ditas mais fáceis onde a equipa esteve sempre muito bem a controlar a corrida sempre que nos era possível. Os adversários não paravam de atacar e nós já estávamos a ficar algo desgastados. Os meus colegas de equipa tiveram uma coragem incrível para segurar a corrida controla-la até ao final onde saímos não só eu mas todos vencedores pois a atitude e a confiança que me transmitiam sempre em todas as etapas foi digna de registo.
 
 
Situações que me marcaram nesta corrida.
 
 
Nunca tinha corrido em auto-estradas, estreei-me no Brasil onde até as portagens passei de bicicleta e sem pagar portagem.
 
Nunca tinha corrido numa prova com tantos ataques ao longo das etapas, os ciclistas no Brasil só correm ao ataque, até parece que têm picos no selim pois não param quietos.
 
O povo brasileiro foi fantástico com os “portugueses” como nos chamavam.
 
Nunca tinha sido homenageado por ninguém. Foi preciso ir ao Brasil para ser homenageado pelo Cônsul português, uma pessoa super amável que teve a gentileza de ir ter comigo ao hotel onde estávamos hospedados, onde fez uma breve cerimonia na qual me fez uma simples homenagem, algo que me surpreendeu bastante. Afinal a corrida estava a ter algum impacto no Brasil.
 
Neste 12 dias que estive no Brasil conheci 2 pessoas que me vão marcar para sempre, o Sr. Orlando Farrapa, um senhor português de 79 anos que imigrou para o Brasil aos 19 anos.
 
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É um apaixonado por Portugal e como ele diz não tem nada a falar mal do Brasil muito pelo contrario, o Brasil deu-lhe tudo que tem na vida, mas a paixão pelo seu país de origem é incrível e quando soube que uma equipa portuguesa estava no Tour do Brasil veio nos visitar e, pouco a pouco, começou a ser um amigo que tínhamos ali.
 
Sempre preocupado se estávamos a comer bem, se estávamos bem alojados, se nos faltava alguma coisa, enfim, uma pessoa incrível mesmo.
 
Uma das muitas coisas que me marcou a mim e a todos nos foi uma simples frase que nos disse: “Estarei convosco no domingo quer ganhem quer percam pois para mim só a vossa presença aqui já é muito gratificante e quero estar convosco”.
 
Até nem tenho palavras para descrever o Sr. Orlando, foi incrível, sempre connosco em todas as etapas que fossem a 200, 300 ou 400 km de casa lá estava ele na estrada com o cachecol de Portugal para nos apoiar e a chorar como “uma criança”  quando vencíamos.
 
Obrigado Sr. Orlando por tudo que nos ensinou neste curto espaço de tempo.
 
Outra pessoa que me marcou foi o Sr. Sílvio, um empregado do Sr. Joaquim, o nosso patrocinador Vila Flor, que é natural do Brasil e passou 24 horas connosco. Uma pessoa também ele, incrível, com uma boa disposição fora do normal e uma pessoa sempre bem disposta.
 
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Obrigado Sr. Sílvio por todo o apoio  e carinho que nos deu.
 
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